11.6.09


Ahhh...
Duplo Transbordamento....



(...) outra vez disseste-me que, na vida real, eu não agüentaria uma semana contigo. Ou talvez eu tenha inventado que tu me disseste isso. Pouco importa. Posso ter inventado tudo, menos o fulgor perfeito dos nossos corpos juntos. Uma vida inteira não basta para apagar da pele o peso magnífico desse fulgor. Só sexo, disseram-me as amigas íntimas, quando eu ainda chorava com elas a saudade do êxtase. Só sexo, fogo e palha, talvez tenham razão. Mas é disso que trata a vida, a minha vida: só sexo, Contigo. O prazer que o meu corpo conhece é o que aprendeu no teu, e foi esse que o meu corpo ensinou aos outros homens, aos vários em que tentou enganar a tua ausência, ao único que soube contornar a tua ausência para permanecer em mim. Todas as noites me acaricio com os teus dedos, fecho os olhos e sugo os teus dedos sob o contorno dos meus e conduzo-te pelo meu corpo como tu me conduzias. Todas as noites rebolamos da cama para o chão e do chão para cima da cômoda do teu quarto e para a mesa da sala e para as lajes frias da cozinha, todas as noites percorremos abraçados a casa velha onde já não moras, a casa velha que se calhar já se desmoronou sem a nossa ajuda. Todas as noites tu entras em mim por todas as portas, a tua língua silenciosa desperta vertigens desconhecidas nas partes secretas das minhas orelhas e das minhas pernas e dos meus pés. Todas as noites sinto o castanho dos teus olhos grandes dissolvendo-se nos meus como uma felicidade quente, imensa, vejo os teus quadris estreitos de rapaz dançando sobre o redondo do meu ventre, das minhas nádegas, todas as noites os teus dentes mordem o meu pescoço no sítio exato em que o meu corpo guardava a última fechadura, todas as noites volto a subir a esse monte dos vendavais só nosso. Só sexo, seja. Tantas vezes te pedi: “Diz-me que me amas, diz só uma vez. Mesmo que seja mentira. Diz-me. Só para eu guardar o som da tua voz a dizer essas palavras”. (...)

Para ler: "Só Sexo", Inês Pedrosa.
Para ver: "Antes do Amanhecer", Richard Linklater.

Charneca em flor

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frêmito das coisas dolorosas,
Sob as urzes queimadas nascem rosas
Nos meus olhos as lágrimas apago...

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmuram-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago !

E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E, já não sou amor, Sóror Saudade...

Olhos a arder em êxtase de amo,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

Florbela Espanca.

10.6.09


As cidades têm luzes nas palavras.
Ofuscam a linguagem dos homens. Dizem-lhes: Este é o meu nome.
E piscam e rebentam o olhar.
(...)
Os homens desejam a cidade. Tocam-lhe por dentro, no vermelho,
preparam-na para o abandono. Dizem-lhe: Este é o teu corpo.
E partem.
Porque todas as cidades têm o seu letreiro. O seu homem.

Filipa Leal.

8.6.09


Das coisas boas da vida: Dormir: na cama. na rede. na praia. junto. ou separado. Doce de leite com queijo branco: fresquinhos, várias fatias seguidas. Colo das pessoas amadas: nas quatro estações do ano. Sonhar com meu avô: encontros e abraços. Fofocas e confidências com amigas do peito: pessoalmente, por telefone, pela internet. Ler um texto novo dos amigos poetas: talentosos e divertidos. Pizza de catupiry: a outra metade eu deixo escolher. Bloody Mary na balada com melhores amigas: de canudinho com gelo. Cinema de segunda: sala vazia. Pastel de feira: de palmito. Cerveja: gelada de garrafa no boteco, Original. Viajar: pouca bagagem pra carregar e muita folga, please. Música: ao vivo, boa, boa, boa. Aula de literatura: ouvir e falar. Filme bom: não me conta o final. Filme ruim: pra dormir abraçado. Homem-gato: dando sopa. Amêndoas coloridas: duas de uma vez na boca. All star: coloridos. Unhas pintadas: branco, vermelho, rosa e preto. Beijo bom: só provando. Ligação de gente especial: melhor que chocolate. Livros: de poesia, fotografia e de receitas pra ver as figuras, principalmente dos doces. Dirigir: rápido, sem trânsito, ouvindo música, cantando. Achar vagas: na rua, do lado do lugar que quero ir, sem precisar de manobras, lógico, e nada de filas em lugar nenhum. Das coisas boas de matar horas de trabalho e estudo: Fazer listas sem fim.

7.6.09


Prateleiras recheadas de histórias esperam por você no coração do Itaim: visitem a charmosa livraria Capítulo 4, aberta por uma super amiga em março de 2009.

Espaço dos livros, cafés, quitutes, doces e viagens. Uma delícia de passeio.
Abra uma página e boa viagem !

Rua Tabapuã, 830.

O amor falhado.
Meditação sobre ruínas. Fragmentos de emoção. Tentativa de revelar o ausente, lembrar o perdido, conhecer o inexistente. Que língua falam os que se perdem assim? Reencontros que não têm uma explicação.